O que você faria se descobrisse que seu filho usa crocs?

Um problema social terrível.

Sobre coisas e pessoas no PFW 2012

        Depois de 3 noites tirando fotos, observando, anotando e escrevendo loucamente no meu diário de campo sobre o que vi no PFW, resolvi repensar o que havia dito anteriormente sobre me manifestar no blog ou não, e expor um pouco o que essa edição despertou em mim: percepções e sentimentos que foram um pouco além das edições anteriores. Fiz contatos e conversei um com várias pessoas, na grande maioria aquelas com quem eu já possuía um mínimo de intimidade e liberdade para conversar da forma mais pessoal possível. Mais que qualquer outra coisa, era isso que eu queria, compreender um pouco do significado que estar ali e fazer parte daquilo tinha para elas. Opiniões das mais diversas surgiram, e me fizeram pensar um bocado sobre todo esse contexto. Não quero falar sobre o evento em si, porque bem sei que vários outros meios de comunicação já fizeram isso, com riqueza de detalhes e imagens, inclusive. Tomo a liberdade para quase fazer um ctrl+c/ctrl+v de uma pequena parte dos meus escritos, daquilo que mais chamou minha atenção. Àqueles que concordarem ou não, peço liberdade para me expressar. Afinal, blog também é Diário:

        Escutei críticas de várias pessoas. Boa parte delas sobre o evento e os presentes, dizendo que falta muito para que o PFW assuma os moldes de uma semana de moda. Disso eu não posso discordar, afinal em alguns momentos o mesmo me parecia bem mais uma feira de moda que um evento de criadores, já que os desfiles eram de marcas locais “prêt-a-porter” ou de lojas que trazem roupas de fora. Nisso eu acho o que é apresentado incoerente com a proposta do evento (ou que deveria ser, enfim), que é apresentar criações/idéias de estilistas locais. Talvez essa incoerência (além de outros elementos, como a data desfavorável dentro do circuito da moda) tenha feito com que haja um número inferior na presença de criadores e estilistas nos moldes “clássicos” da coisa, por assim dizer (que não se sentem impelidos a se apresentarem na proposta do evento), e um aumento no número de marcas mais populares (já que até aqueles estilistas que estão presentes o fazem, predominantemente, para apresentar o que produzem em parceria com essas marcas).

        Ao mesmo tempo eu me questiono: Não será essa a necessidade local, e que devido isso, o evento tem tomado esses rumos? A princípio eu até pensei que o mesmo pode perder força com o passar dos anos (ficava me perguntando isso enquanto conversava com as pessoas), desta forma, mas talvez não. Tudo são possibilidades. O fato é que nosso estado não possui décadas de história de moda, mas já tem alguns bons anos de indústria têxtil e produção de vestuário, o que pode fazer com que eventos do tipo, pelo menos por enquanto, tendam a seguir o caminho da produção comercial, e não da apresentação de conceitos e tendências.

        Percebi o que parece ser um caminho mais simples em apenas criticar, sem maiores reflexões, um evento desses quando se tem como referência informação de moda adquirida em sites do eixo Rio – São Paulo, e acompanha pelos veículos de comunicação as semanas de moda européias, cujo histórico já conta com várias décadas e muitas vivências absolutamente diferentes das nossas. Sim, a referência de moda que a grande maioria de nós temos (e nisso eu me incluo) é criada a partir dessa forma “burguesa” de conhecer, perceber e compreender o mundo. “Ah, Augusto, mas não há empenho por parte de quem organiza, parece evento de preguiçoso”. Sim, eu concordo. Senti falta de firmeza, de ousadia, da escolha de um espaço mais favorável, de um monte de outras coisas. Falta muito, muito pra ser um evento merecedor de reconhecimento nacional (tomemos como exemplo o Ceará, que aqui do nosso lado tem o já reconhecido DFW). A história da moda piauiense talvez esteja sendo construída agora (e por isso mesmo merece esforço por parte dos envolvidos), mas é difícil compreendermos isso se tivermos acesso constante ao que é considerado o melhor, e partirmos somente disso. Em situações do tipo, relativizar é preciso.

        Refletindo agora, penso que talvez o evento não corra riscos, e que até esteja indo bem das pernas. Afinal, o mínimo necessário estava lá: desfiles, roupas, divulgação de lojas (vendas e circulação de dinheiro, posso apostar), e, principalmente, pessoas. Várias, adequadas ou não. E creio que elas fazem o evento acontecer de verdade. Mais que qualquer outra coisa, me chama atenção o fato de que ali é um espaço de socialização: todas vão para verem e serem vistas, e é em nelas (ou pelo menos em parte considerável) que a moda e as tendências estão de fato presente: animal print, saias mullet, cores fortes, dourado, brilhos… Acontecendo e circulando, adequadamente ou não. Ou até mesmo a opção de apenas usar uma roupa simples. Tudo são escolhas. Há uma troca de informações visuais que engloba uma rede que muito provavelmente compreende desde o F*Hits, o WGSN, a Vogue, e etc, até uma ligação telefônica com um “com que roupa tu vai?” Há um mundo físico e simbólico entre estes espaços, que é um mundo real, que está acontecendo.

       Inadequadas ou não ao contexto, talvez falte às pessoas habitus, pensando um pouco de forma Bourdieusiana. Talvez falte-lhes a apropriação necessária do que vem do topo e do que faz parte de sua realidade, de incorporar aquilo que está acontecendo no seu mundo de maneira ativa e crítica, para que se socializem por meio e a partir disso. E isso só poderá ser possível com vivências, experiências… Então não nos precipitemos com opiniões descuidadas. Ah, e, por favor, compreendam: Não estou aqui pra defender o evento, mas sou a favor de que o mesmo aconteça. Como bons interessados em moda que somos, temos que “apreciá-la” também no nosso espaço: errando, tentando, arriscando, acertando, até pegar o manejo da coisa; para que um dia (em breve, espero) possamos dizer que acompanhamos o começo e manifestar um pouco mais de orgulho sobre a moda do Piauí.

Modelete

Sou cliente da Checklist há um tempo. Adoro as roupitxas de lá e as meninas que atendem são todas uns amores, o que acaba me fazendo voltar mais e mais vezes. Controla o bolso, Maria Clara.

Então outro dia a Cassandra, gerente, me convidou pra dar uma de modelete, tirando umas fotos pra loja. Resolvi tentar superar minha vergonha e aceitei o desafio.

Cassandra preparando o look.

Clicada e dirigida pela Roberta, tirei várias fotinhas me tremendo e suando vestindo os looks da loja que a Cassandra montou ali na hora. E esse exercício, que pode parecer superficial aos desavisados, acabou se tornando um momento de reflexão pra mim.

Fiquei pensando no quanto a gente se limita… Meu armário, por exemplo, tá cheio de roupas e, às vezes, sinto como se me vestisse sempre do mesmo jeito. E acho que acaba sendo isso mesmo… A gente se acostuma a gostar das mesmas coisas e acaba buscando um padrão quando vai comprar roupa.

Vinni fazendo o making of.

Observando a facilidade com que as meninas da loja misturam as peças e criam montações completamente novas a partir de um vestidinho, um casaquinho e um cinto, por exemplo, fiquei com vontade de levar aquilo pra minha vida…

Dedicar um pouco mais de tempo na frente no armário, buscando novas formas de (des)combinar as peças, procurar sair do meu óbvio quando for às compras, explorar outras versões de mim mesma e, assim, sair da rotina.

Cassandra, eu e Roberta.

No dia seguinte, voltei na loja e comprei uma das peças usadas nas fotos, que eu jamais enxergaria sozinha: uma legging de couro.

E a ordem a partir de agora é essa: fugir do óbvio.

We ♥ Boho!

Dia desses, Sienna Miller declarou ao site da Vogue Britânica que o estilo  boho não combina mais com ela e que agora está muito mais aí pra alfaiataria. Arriscando-se, inclusive, a dizer que odeia a palavra ‘boho’ .

Ao contrário da diva Sienna, eu, que já fui muito hippie durante a faculdade, ao longo dos anos consegui criar um estilo próprio, incorporando um pouco de tudo que já gostei desde a minha adolescência, sem deixar de abrir os olhos para o novo. Isso, definitivamente, pra mim é o melhor que a moda nos proporciona. Podermos externar um pouco da nossa personalidade e do nosso humor através do que vestimos.

É acordar um belo dia e desejar sair chiquérrima num terninho ajustado e saia lápis e  no outro vestir apenas um jeans e havaianas. E o melhor, se sentir bem com  o que se está usando, independentemente do estilo ‘a’ ou ‘b’.

Então, eu resolvi me proibir de dizer que não combino com determinado estilo, pois todos os estilos podem combinar comigo e isso só depende do meu estado de espírito.

E hoje, só por que eu li essa declaração de Sienninha decidi que essa é a minha semana Boho!

O estilo bohemian é um estilo que me passa uma idéia de liberdade, de que tudo é possível… É uma mistura do folk, do hippie, do étnico, do country, do vintage…E, por tudo isso, eu digo um SIM enorme a esse estilo!

Workshop Horas de Moda

Atenção, gatos e gatas da moda, vou começar logo com aquela conversinha meio conselho de mãe, que todo mundo já sabe, mas a gente tem que ficar repetindo pros que não se ligam: nossa cidade é carente de bons eventos pra quem quer aprender, crescer e virar gente grande, então, vamo tratar de prestigiar quando vem coisa legal.
E, sim, vem coisa boa por aí:


Workshop Horas de Moda, próximo sábado, com Mauro Perez, que tá nesse mercado há 15 anos e hoje cuida da criação de imagem de moda da Mega Models Brasil. Ele vai falar de disciplina, postura e casos patológicos, disciplina na sua agência, dicas de passarela, mercado nacional e internacional, modelo comercial e fashion, produção, linguagem de moda e especialização para a carreira.

Mais informações no site da Model Agence ou pelo número (86) 3232-0370.
Como diria o Augusto, se avia!

Teste de Resistência

Veja as imagens abaixo:

Guy le Tatooer

   

   

   

David Hale

   

   

   

Lukas Musil

   

        

Peter Aurisch

   

   

Agora tente NÃO pensar em fazer uma loucura tatuagem. Tempo na tela!

Sobre despesas e o bolso de cada um

      De uns tempos pra cá tenho percebido que existe uma idéia circulando mundo afora segundo a qual pessoas que se interessam por moda e dedicam um pouquinho do seu tempo pra escrever sobre tal assunto – por mais pouquinho que seja – passam parte considerável do seu tempo livre (ou não) “curiando” o que há de novo e, sempre que possível, comprando. Quando eu olho pelo lado do Nós 4 acabo percebendo que, na verdade, isso é… absolutamente real.

      Semana passada, enquanto realizava com Maria e Thalita um de nossos incontáveis passeios pelo shopping, comentei sobre a necessidade de controlar um pouco os gastos, e chegamos à conclusão de que este não é um problema somente meu. Isso estava me incomodando um pouco mais desde a noite anterior, quando compartilhei com um amigo o que a minha mãe diz: “enquanto você compra sem precisar, tem gente que precisa e não pode comprar” (sim, ela diz isso) todas as vezes que apareço com algo novo, e ele me contou que não compra nada que não precisa, pois “casa e filhos fazem com que você esqueça outros gastos”.

      Depois dessa conversa eu tinhas duas opções: A primeira seria pensar que já que não tenho casa nem menino pra criar, poderia fazer a festa com meu dinheiro (que nem é lá essas coisas), depois de passar um mês trabalhando para tê-lo. Já a segunda, merecedora de um pouco mais de esforço da minha parte, seria considerar o fato de que após um mês trabalhando, o $ recebido deveria ser mantido com um pouco mais de zelo e carinho.

     Enfim, minha vida financeira não é questão a ser abordada aqui. O ponto no qual quero chegar é que é muito cômodo para nós assumirmos essa postura de “ah, o dinheiro é meu, posso fazer o que quiser com ele”. Como jovem adulto de classe média, cujos pais se esforçaram para dar o que havia de melhor, e que por isso teve acesso ao que havia de melhor (dentro do possível), eu, assim como meus amigos e muitos outros de nós, esperamos ansiosamente pelo dia em que poderíamos vislumbrar certa independência financeira, e que poderíamos consumir sem dar maiores satisfações, o que quer que fosse: roupas, perfumes, CDs, livros, carros, remédios… Não importa o interesse de cada um, e sim que chegou o dia em que várias coisas antes cobiçadas através das vitrines, revistas, telas de TV e computador poderiam ser materializadas.

      Somos a primeira geração de adultos que cresceram com a facilidade da aquisição dos importados e das compras pela internet, e que não se perceberam “obrigados” a saírem da casa dos pais para lidar com despesas domésticas. Tudo isso depois de assistirmos com olhos arregalados a última grande inflação, quando eu não entendia por que coisas básicas tinham que ser estocadas em casa, pois o preço dobrava em uma semana. Lidamos, pois, com um volume de informações distoantes em um espaço de tempo relativamente curto. Trauma infantil? Não! Mas talvez a liberdade que sentimos por administrarmos nossa vida financeira em uma economia um tanto quanto estável e – por que não – permissiva, faça com que percamos (seria essa a palavra certa?) um pouco o freio dos nossos gastos, e  ultrapassemos o limite do bom senso.

      Tudo bem, o chatonildo aqui sabe que cada um faz o que quer do dinheiro que ganha, antes de qualquer possível argumentação. Mas o que quero aqui não é convidar quem possa estar lendo este post a ser adepto da Simplicidade Voluntária, até porque eu gosto de comprar e consumir e acho a vida bem mais interessante por me permitir isso; muito menos pregar uma mensagem de caridade e sustentabilidade, pois já tem um monte de gente que faz isso. Eu também sei que é o consumo move o mundo, mas talvez seja o momento de questionar que tanto eu estou retirando deste mundo pra guardar no meu guarda roupa. Será que o que está sendo acumulado lá dentro (ou o que está por vir) não ocupa espaço desnecessário? Será que parte disso poderia sair, ou nem mesmo vir, e que minha vida em nada mudaria por isso? E se, em último caso, despesa continua sendo a “palavra de ordem”, será que eu não posso simplesmente gastar com outras coisas (passeios e eventos culturais, por exemplo) e pegar leve com os bens materiais?
      É uma série de “serás” para a qual não tenho resposta, e que, como bom gastador que sou, me desafio a tentar descobrir também.

Cheirinho de boas memórias

      Sempre questionei um pouco o que leva algumas pessoas a usarem o mesmo perfume por anos e anos. Como sou meio abusadinho pra cheiros e outras coisas, sempre dou uma variada de acordo com o meu estado de humor (apesar de ter minhas preferências). Eu sei que tem o lance da identificação com as notas e da memória olfativa e tal, mas se me pedirem pra falar sobre uma boa memória olfativa, eu vou lembrar do cheiro do piso de madeira encerado da casa de uma tia, que costumava frequentar quando criança. E eu não conheço nem um perfume com esse cheiro (ok, insensível sou. Ok, se existisse eu não usaria).

      Dia desses, conversando com uma amiga, ela me contou que usa o mesmo perfume desde quando fez uma viagem, e que usá-lo faz com que lembre de muitas das boas memórias desta e de outras vivências, desde então. Aí eu fiz um esforço mental (confesso que foi difícil) e lembrei que o sentido que mais me faz lembrar das pessoas e de algumas situações é o olfato. Não somente perfumes, mas cheiros de coisas aparentemente banais, como comida, papéis, plantas, livros e etc etc etc. Sabe aquela coisa de fechar o olho e vir a memória? Sabe quando você de repente lembra de alguém, e quando se dá conta passou uma pessoa por perto usando o perfume dele/dela?

      Pois é, sábado à tarde eu me deparei com isso. Estava na casa de umas amigas que conheço há quase 15 anos, e senti o perfume de uma delas, que é o mesmo desde quando as conheci. Enquanto ela falava sobre como não consegue usar outro, e que usa desde a 5ª série, e que naquela época ele custava R$29,90 e que ela juntava dinheiro todo mês para comprar e parará parará parará, eu borrifei o perfume no braço.

      Naquele momento eu lembrei da preguiça de ir pra aula pela manhã, do frio do ar condicionado, das conversas, das provas e das tardes que nos reuníamos para estudar e fazer trabalhos (e enrolar), da angústia em relação às notas, da ansiedade pelas férias, do cinema e do boliche, das tardes assistindo filme na casa delas, da vida alheia, de outros amigos queridos, de tanto amor que não se acaba… Tudo de uma vez só! E pensei que se aquele cheiro foi tudo isso pra mim, imagine o que deve ser pra ela.

      Então eu voltei pra minha casa cheirando o braço em cada sinal que eu parava, e recontando mentalmente um pouquinho da minha história.

Entradas Mais Antigas Anteriores

@tangerinejuice

@venniciuscastro

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.

Nós 4 team

rodape
%d blogueiros gostam disto: