E a passarela começa a ser do mundo.

Pesquisando um pouco sobre a modelo Laís Ribeiro pela internet, por pura curiosidade mesmo, me deparei com várias matérias festejando o “novo padrão estético” que moça está representando no mundo. Tá… Exageros à parte, deixemos a linda Laís sentadinha ali do lado e vamos refletir  um pouco sobre alguns aspectos desses tais “padrões estéticos”.

Durante essa viagem virtual, me lembrei de um momento na minha adolescência há uns dez ou doze anos atrás quando eu vi na televisão uma reportagem sobre uma tal modelo refugiada do Sudão que estava figurando os mais badalados editorias, revistas, desfiles e o diabo à quatro da moda. Era Alek Wek.

Reza a lenda que Alek (foto acima) chegou à Inglaterra aos quatorze anos de idade acompanhada apenas da irmã mais nova, fugindo da guerra civil em seu país e, pasmem, não tinha nem um par de chinelos nos pés. Ela também não sabe exatamente o ano e o dia em que nasceu, teoricamente foi em 1977… Mas aí vocês podem ir lá no Google pesquisar sobre a (incrível) biografia da moça, senão esse post não acaba hoje, né?

Voltando…

Naquele dia eu, ainda um moleque, fiquei deslumbrado com a imagem da Alek desfilando na passarela. O contraste dela entre as outras modelos, por motivos óbvios, era gritante. Não se via nenhuma outra quando ela entrava.  Para o bem ou para o mal. E eu me perguntei: Por que não tem mais “dessas”?

Só que muita gente ainda estranhou a modelo nas passarelas. Alek é uma representante fiel do biótipo africano, ao contrário de outras modelos negras da época, que tinham uma “negritude amenizada”, com cabelos lisos (às vezes loiros), expressões delicadas, nariz fininho, Alek é preta, tem rosto de negra e não é adepta de chapinha.  Era uma imagem marcante. A pele dela brilhava na luz e Naomi Campbell tremeu… Mas era de se esperar que a sudanesa encontrasse alguns obstáculos. Esse mundo não é fácil pra quem é “diferente”. Mas Alek Wek era simplesmente hipnotizante. Um rosto pra não esquecer.

Maaaaas essa é uma discussão que já chegou ao auge do cansaço e é chover no molhado… O mundo não é feito só de mulheres magras, louras e brancas, ok, não é e pronto. E eu também não vim aqui pra reclamar dos “padrões estéticos”. Muito pelo contrário, também vim festejá-los! Porque as coisas vem mudando cada vez mais (e mais rápido). Aliás, mudando não, crescendo, se multiplicando, se espalhando e a gente já consegue enxergar o novo.

O tempo passou, e parece que agora surgiram muitas outras “Alek Weks” diante dos nossos olhos.

Zombie Boy. É a alcunha assumida pelo rapaz aí de cima, nascido Rick Genest, no Canadá, o cara vem fazendo muita gente torcer o nariz quando olha pra qualquer fotografia dele. Também pudera, o cara é bizarro! Para o bem ou para o mal.

Mas nosso amigo aí não está sozinho nesse mundo louco da moda. Muita gente “como ele”, que à princípio jamais pisaria numa passarela, tá aí, mostrando pra gente que tudo pode ser, basta acreditar, sonhos sempre vêm pra quem sonhar a moda está cada vez mais democrática. Viva!

Esse loiro é o Andrej Pejic, o novo darling do momento, que inclusive estava no Brasil no Fashion Rio dando pinta desfilando pra Ausländer. Quando se imaginou que um rapaz tão feminino peculiar seria destaque num desfile de moda masculina?

E a Lea T? Linda, fotogênica, disputada, trans e está ficando rica. Roberta Close também tremeu…

Essa é a Tara Lynn, a famosa modelo plus size que substituiu a Gisele numa campanha da H&M. Tara é gostosa!

Eles não são os únicos, claro, muita gente “diferente” já teve o rosto carimbado no “mundinho fashion”, mas pra mim foram os mais recorrentes na memória.

Eles podem não ser maioria, podem não encher os olhos do público, podem não nos causar inveja como as elegantes modelos “tradicionais” ou os rapazes de abdômen dividido e peitoral marcado na camisa. Mas estão lá. Estão presentes, e espero eu que por muito tempo e que com eles venham muitos e muitos outros.

Gostando ou não. Torcendo o nariz ou não. Acreditando ou não. Só nos resta no mínimo dar com os ombros e dizer: Bem vindos!

Que a moda continue nos presenteando com figuras como essas. E agradeçam! Porque eu acredito que a nossa geração está sendo testemunha de um momento único, onde o que está lá, pode estar aí sentado do seu lado. E isso também é um pedaço de gente de verdade.

3 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Joana Campos
    jun 14, 2011 @ 12:17:52

    Dia desses eu troquei umas mensagens com o Augusto e discutimos um pouco disso: o corpo também é moda…
    Penso que o mundo da moda retrata os desejos do “mundo real”, mas ele também cria um outro mundo. E sendo um pouco pessimista, muitas vezes, eu acho que “os diferentes” (eu prefiro “os que não estão nos padrões de beleza vigente” rs) aparecem como uma forma de mostrar que a “passarela” é democrática. Só como uma forma de mostrar, sabe?
    Assim como voce, eu também gosto de ver que outros padroes estão ganhando espaço nesse “mundinho fashion”. Espero também que eles não sejam vistos apenas como mais um “espetáculo da moda”…
    beijos

    Responder

  2. Augusto Dantas Jr.
    jun 15, 2011 @ 00:44:01

    Lindo Vinni e linda Jô, arrasando mais uma vez! Talvez a moda tenha demorado um pouco, mas esteja começando a perceber que o mundo real é feito pelas diferenças, que se ainda não são foram estabelecidas como padrões estéticos (e talvez demorem a ser), ao menos ocupam um ótimo lugar: incômodo, porém significativo.
    Que venham ainda muitas “aleks”, “leas” e muitos “andrejs”. Todos nós temos um pouco deles nas nossas pequenas grandes diferenças. Assim como aquelas pessoas “normais” que encontramos por aí no dia-a-dia. São as que consomem moda todos os dias, e por isso movimentam essa indústria gigantesca. E, por isso mesmo, não podem jamais ser desconsideradas.
    Conheci a Alek Wek nessa época também, Vinni, e fiquei estarrecido quando vi uma foto linda dela tirada pelo falecido Herb Ritts para o calendário da Pirelli. Naquela época, quando quem estava deixando de dominar a parada eram modelos como Cindy Crawford, era difícil imaginar que uma mulher de beleza tão incomum pudesse ser top. E ela foi, inclusive sendo a “cara” de uma marca nacional, ocupando um lugar que 10 anos antes havia sido ocupado por ninguém menos que… Cindy!
    É isso, o mundo da moda como todos os outros, também dá voltas. E que venham os próximos.

    Responder

  3. Joyce
    jun 15, 2011 @ 11:25:15

    Olá pessoal! gostei do post Augusto, muito bom. Li um dia desses uma reportagem sobre o Andrej e claro que adorei, gosto de ver diversidade simplesmente porque o mundo é diverso! Felizmente (ou infelizmente para alguns) o mundo não é só feito de Gizbün…..
    Mas tenho que admitir que a Jo tem razão, na maioria das vezes essas coisas acontecem porque o mundo da moda quer dizer, e principalmente, mostrar que é democrático e não porque realmente é. Mas pelo menos eles estão aparecendo mais… que isso não soe ao tom de consolo!
    Outra coisa Augusto é impressionante como o mundo da moda ta cada vez mais “copiando” as ruas, não sei se pelo bumm dos blogs (ou se isso é consequência), cada vez mais (2) o lado de fora do mundo da moda se apropria dela. Vai ver que essa era a intenção!! Algo que é perceptível até na publicidade, cada vez mais (3) os publicitários viram sua mira criativa para o publico “faça um vídeo sobre isso e ganhe aquilo”!!! Eu não sei se isso tudo é causa ou consequência…. Vai ver que você até já falou sobre…. no seu blog.
    bjo

    Responder

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