Olha a cabeleira do Zezé!

Então, dia desses eu e a Maria entramos numa (longa) discussão  à respeito do guarda-roupa masculino. Acabou que nem chegamos numa conclusão, mas todo mundo sabe que às vezes refletir já é um bom começo para se chegar a algum lugar. A gente passou alguns vários cinco minutos debatendo as inúmeras maneiras que as pessoas olham para um homem, teoricamente, bem vestido.

Eu particularmente, mesmo tendo às vezes uma visão mais clássica, mais contida, mais discreta – o que não quer dizer, tradicional, careta e atrasada (pelo menos eu acho isso), tento ser o mais imparcial possível. Depois a Maria pode falar por ela, mas agora eu vou falar por mim.

Tudo começou quando ela viu esse post no blog da Marina Consoli e levantou um questionamento: “- As pessoas vão olhar pra esses caras e achar que eles são gays só por causa das roupas.” – basicamente foi isso.

Aí eu me lembrei dos vários comentários que eu já vi e vejo nos blogs de moda quando os blogueiros ilustram seus posts com fotos de caras super “descolados” e com produções “atrevidas” (quase sempre europeus e asiáticos) e os leitores surgem com pérolas do tipo:

“Ah, gostei, mas tá muito bixoso!”

“Legal, mas eu tiraria esse sinto e esse lenço, ficou muito gay rsrs”

“Nossa, e essa pintosa?”

“Aff, deus me livre, muito biba!”

E assim por diante…

Claro, existe um comportamento “padrão”, e de fato características que se repetem.  Por isso, na concepção da maioria das pessoas, gays tendem no mínimo a serem mais preocupados com o que vestem e a serem mais vaidosos que os héteros (até surgir o conceito de metrossexual pra confundir mais ainda nossa cabeça, mas isso são outros quinhentos). O fato é que: existe uma tênue linha que separa uma simples suposição de um erro gritante.

Quantas vezes você não já viu um rapaz passando na rua com aquela calça mais justa, uma camisa colorida, um par de óculos “wayfarer”, bolsa a tira colo e cantou a pedra: “- é gay!”?  Isso é comum; você já fez, a Maria já fez, a minha mãe já fez, a Dilma já fez e eu também já fiz, ponto.

Não é nossa culpa.

Somos constantemente bombardeados por conceitos externos sobre o que é ou não adequado, do que é certo e errado e do que é comum e incomum, do que é normal e anormal. Mas, com o passar do tempo, e depois de conhecer vários caras que usam uma calça mais justa, camisa colorida, um par de óculos “wayfarer”, bolsa a tira colo e de saber que alguns são gays e outros não, a gente vai aprendendo a lidar com ideias concretas. Ninguém é gay ou hétero até que se prove o contrário.

Definitivamente eu não vou chegar a uma conclusão aqui, meu objetivo é apenas refletir, ainda. E também gostaria que vocês refletissem comigo.

Será que realmente existe um padrão gay? Existe e não existe. Assim como existe e não existe um padrão hétero. Quantas vezes nós não já nos surpreendemos ao saber que aquele sujeito com cara de pedreiro tava namorando com aquele outro cara filho de não sei quem?

E justamente por haver e não haver esse padrão, eu acho importante que as pessoas na hora de abrirem o guarda-roupa, priorizarem a imagem que querem passar e não o que os outros vão deduzir a respeito delas.

Longe de mim sugerir que se aperte a tecla “foda-se” para o mundo…  O que os outros pensam é importante, claro. Mas é mais importante saber filtrar quais desses pensamentos são dignos da sua preocupação. Eu não quero parecer um “fashion victim”, por exemplo, mas não vou deixar de usar meu “keds” com estampa florida porque algum “Zé mané” vai achar que aquilo é tênis de biba. Zé manés não entendem nada de moda.

Devendra Banhart, ex-namorado da Natalie Portman.

Lorenzo Martone, ex-namorado do Marc Jacobs.

7 Comentários (+adicionar seu?)

  1. natalia
    maio 24, 2011 @ 11:55:41

    Depois que conhece o blog estou apaixonada pelos textos do vini.
    Eu preciso comentar pois bem. Acho que nã existe um padrão, só que com esses lookbooks da vida aonde os homens estão se vestindo cada vez mais estranho, tipo exageram no looks, e fica até visivelmente estranho, sem um identidade mais Homem. Acho lindo homem ter sua personalidade em suas roupas. E que muitas vezes demonstram o que são. O devendra amo mesmo ele é marcante, e mesmo vestindo dessa forma ele é hetero, mas aqui será que isso acontecesse, não lhe digo logo que sim a roupa masculina fala por si, e nem deixa o dono se explicar, cultura infelizmente a cultura daqui ainda é muito sem graça.

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  2. Augusto Dantas Jr.
    maio 24, 2011 @ 14:07:43

    Lindo, meu filho, lindo…
    Vem cá, mas vocês conseguiram mesmo chegar a uma conclusão?

    Responder

  3. dane
    maio 24, 2011 @ 15:23:48

    uy, o devendra é muito sexista. eu peghava.

    Responder

  4. Maria Clara
    maio 24, 2011 @ 15:38:42

    “a roupa masculina fala por si, e nem deixa o dono se explicar” (no comentário da Natalia).

    Por aqui é bem isso mesmo. Se você se vestir diferente, nem adianta querer se explicar, porque as pessoas já “entendem” tudo.
    E não vale só pra homem.

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  5. danton
    maio 24, 2011 @ 22:29:32

    acho inútil o conceito ‘ser ou não ser’ tendo em vista somente o cartão de visita pessoal.(por parte de terceiros)

    Responder

  6. Marina Consoli
    out 25, 2011 @ 03:30:24

    gente!!! eu nem havia visto esse comentário sobre meu post, obrigada por visitarem o blog.. adoro o de voces!

    Beijos e ainda mais sucesso.

    Responder

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